Erros na escolha de parceiro pode levar ao surgimento de novas espécies de peixes.

Fêmeas podem se confundir e escolher procriar com machos de outras espécies com coloração parecida, o que poderia levar a uma maior biodiversidade.

Os peixes ciclídeos representam a maior família de peixes e são comumente encontrados em água doce. Foto: Shutterstock | Fonte: http://sciam.uol.com.br/erros-na-escolha-de-parceiro-pode-levar-ao-surgimento-de-novas-especies-de-peixes/

Peixes podem se acasalar com indivíduos de espécies diferentes da sua se a coloração do macho for atraente o suficiente ou se a fêmea não conseguir vê-lo adequadamente, de acordo com uma nova pesquisa publicada na revista Nature Communications.


Esse “erros” na escolha do parceiro podem levar à evolução de novas espécies, segundo uma equipe internacional de cientistas. O grupo estudou 2000 peixes e analisou o DNA de mais de 400 peixes ciclídeos oriundos de dois lagos de água doce na África Oriental. Eles descobriram mais de 40 novas espécies no lago Mweru, que se formou há cerca de um milhão de anos.


“Encontramos uma variedade deslumbrante de novas espécies ecologicamente diversas — chamadas radiações — até então desconhecidas”, diz Joana Meier, bióloga evolucionária da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e principal autora da pesquisa.


“As novas espécies de ciclídeos estão adaptadas para usar todos os recursos alimentares disponíveis no lago. Alguns se alimentam de larvas de insetos, outros de zooplâncton ou de algas. Alguns peixes recém-descobertos são predadores.”


Muitas pessoas pensam que os peixes são todos da mesma espécie porque todos vivem na água. Mas existem 30.000 espécies diferentes de peixes, e muitas delas são bastante diferentes umas das outras. Esperar que os peixes consigam se acasalar fora de suas próprias espécies é como esperar que um cavalo procrie com um gato porque ambos têm quatro patas e um rabo.


Registros fósseis mostram que os peixes surgiram há mais de 500 milhões de anos, o que os torna bastante antigos na escala evolutiva. Existem mais de 1300 espécies de ciclídeos e muitos são espécies populares, criadas em aquário. Esse grupo é composto majoritariamente de peixes de água doce. A maioria das espécies é africana, e existem numa grande diversidade, nos principais lagos africanos que a equipe analisou.


Nos peixes ciclídeos, as fêmeas são responsáveis por escolher seus parceiros. Em testes de laboratório, a equipe de cientistas descobriu que, em certas circunstâncias, as fêmeas escolhem machos de espécies diferentes, que têm coloração semelhante aos machos de sua própria espécie. Eles também descobriram que, quando as condições de luminosidade são ruins, as fêmeas não conseguem distinguir entre machos de sua própria espécie ou de outras, porque não conseguem ver as cores adequadamente.


Foi isso que eles acreditam ter acontecido há um milhão de anos, quando as diferentes espécies de peixes se misturam na formação do Lago Mweru, levando à evolução de 40 novas espécies de peixes.


“Para se diversificar em diferentes espécies, os peixes ciclídeos precisavam da oportunidade ecológica oferecida pelos novos hábitats do Lago Mweru, formados há um milhão de anos, o que ainda é considerado recente em termos evolutivos. É altamente incomum que mais de 40 espécies possam evoluir tão rapidamente assim, usando diferentes recursos e habitats alimentares”, diz Meier.


“Quando o lago Mweru foi formado, ele combinou linhagens de ciclídeos do rio Congo e do rio Zambeze. Os ciclídeos desses diferentes sistemas de drenagem se acasalaram. Isso poderia ter acontecido porque, quando o lago se formou, a água estava muito turva e eles não conseguiam ver as cores adequadamente para que as fêmeas não fossem tão exigentes quanto à escolha de um parceiro no novo ambiente. O acasalamento entre ciclídeos de diferentes sistemas de drenagem produziu descendentes muito diversos, combinando os traços genéticos de ambas as espécies parentais.”


Os chamados “filhotes híbridos” podem se alimentar de forma diferente de seus pais e ocupar novos habitats — como áreas mais profundas do lago, por exemplo. Não está claro se todas as espécies sobrevivem, pois elas podem competir entre si e morrer.


“Nossa pesquisa mostra que a hibridação pode impulsionar a evolução de novas espécies, o que é uma descoberta muito nova. A hibridação tem sido tradicionalmente vista como algo ruim, porque quando espécies hibridam, elas podem, com o tempo, se fundir em uma única espécie, gerando perda de biodiversidade ou de espécies locais. A diversidade do lago Mweru nos deu uma rara oportunidade de estudar as interações entre novas espécies em evolução e mostrou que, em um novo ambiente com muitas oportunidades ecológicas, a hibridação pode ser uma coisa boa que, na verdade, aumenta a biodiversidade”, explica.


Universidade de Cambridge

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